Curitiba, 09 de fevereiro de 2010.
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AFINAÇÃO LITERÁRIA
A atriz Clarice Niskier fala da importância da literatura em sua vida pessoal e profissional


A atriz Clarice Niskier nasceu no Rio de Janeiro, em 1959. Atualmente está em cartaz em São Paulo, no Teatro Eva Herz, com o espetáculo A alma imoral, interpretado e adaptado por ela a partir do livro homônimo do rabino Nilton Bonder. A atuação lhe rendeu o prêmio Shell de melhor atriz em 2007. Clarice vem se destacando no teatro nacional desde o início da década de 1980, quando estreou nos palcos com a peça Porcos com asas, de Marco L. Radice e Lidia Ravera. De lá para cá, já trabalhou com diretores como Domingos Oliveira, Eduardo Wotzik, Felipe Hirsch e Amir Haddad, entre outros, e interpretou textos de Clarice Lispector, Bertolt Brecht, Edward Albee, Aristófanes, García Lorca, Dostoievski e Nelson Rodrigues, para citar apenas alguns autores. Em 2002, escreveu e estrelou o monólogo Buda.

• Na infância, qual foi seu primeiro contato marcante com a palavra escrita?
Não lembro de um momento especialmente marcante, mas posso contar um momento do meu filho? Estávamos de carro no Rio, eu dirigindo, ele no banco de trás e, de repente, paramos num sinal. Ele gritou: "Mãe, olha a placa. Tá escrito ‘Co-pa-ca-ba-na'. É onde o vovô e a vovó moram, né?". Sua expressão era de alegria total. Conseguiu ler numa placa de rua o nome do bairro dos avós. Era muito pequeno, estava deslumbrado. As letras passavam de meros traços esquisitos a signos cheios de significados, afetividades, sentidos, formando uma palavra que ele reconhecia e que batia sinceramente no seu coração. Foi um momento mágico. Certamente, um dia, senti esse deslumbramento com a palavra escrita, algo que mais tarde quis expressar no teatro.

• De que forma a literatura surgiu na sua vida?
Minha família lia muito, principalmente meu pai, advogado, e minha irmã mais velha. Mas eu era muito agitada, ansiosa. Tinha pressa em acabar um livro. Quando meus pais me davam um, eu lia o seu início e já ia para o fim, pulando o meio. Um dia, meu pai comprou uma coleção de 12 volumes de Monteiro Lobato. Minha irmã lia e, depois, contava as histórias para mim. Tinha também a coleção do Vovô Felício [o escritor Vicente Guimarães]. Dessa, li um livro, pulando páginas. Li um volume só, os outros imaginei. Na adolescência, tirando os livros que era obrigada a ler na escola, eu imaginava os outros. Às vezes, a partir de uma frase, ficava horas construindo outras histórias, inventando personagens, escrevendo poesia. Às vezes, eu me apaixonava por um título. Um título me fazia inventar uma história e, assim, eu não lia aquele livro. As palavras sempre foram um estímulo muito forte para mim. Na primeira vez em que li José Saramago, senti isso. Aquilo era tão bem escrito, me dava tanto prazer, que eu tinha que andar, me movimentar, dançar, para poder continuar a leitura. As histórias mobilizavam em mim uma energia muito grande, uma vontade de fazer alguma coisa. Criar, gritar, sei lá - sabe aquele grito bom de gol? Eu ainda não sabia direito o que fazer e ficava ansiosa. Aí, ia escrever. Lia três páginas e escrevia três mil. Na adolescência, escrevi muito mais do que li. Fui aprendendo a me relacionar com a leitura aos poucos. Minha primeira insônia foi o livro Coração de vidro, de José Mauro de Vasconcelos. Só dormi depois de acabá-lo, um dos primeiros livros que consegui ler inteiro. Chorei com O meu pé de laranja lima, também do José Mauro. Adorei A revolução dos bichos, de George Orwell; A erva do diabo, de Carlos Castaneda. Mas um dos primeiros romances que li apaixonadamente foi Os mandarins, de Simone de Beauvoir. Até hoje, quando vejo uma edição nova desse livro, me dá vontade de comprá-la. Também havia Jorge Amado. Li Capitães de areia em dois, três dias. E amei A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera. Não me lembro mais da ordem cronológica das coisas, mas em determinado momento a paixão pelos livros vingou.

• Que espaço a literatura ocupa no seu dia-a-dia e no seu método de trabalho?
Meu trabalho é totalmente ligado aos livros. Toda peça exige um grande número de livros para se estudar, ler, consultar. Vou comprando, ganhando, pegando emprestado. Tenho o hábito de ler muitos livros ao mesmo tempo até um deles me pegar de jeito e me fazer largar todos os outros. Antes de A alma imoral, de Nilton Bonder, eu tinha me apaixonado por A caixa preta, de Amos Oz. Quando acabei de lê-lo, o abracei e chorei como se estivesse me despedindo de um amigo. Ainda li somente Amos Oz por um bom tempo. Até que comecei tudo de novo, voltei a ler vários livros ao mesmo tempo. Vou tateando, procurando, largando alguns no meio, até que chega aquele que me silencia, me pára, me põe um limite, não sei explicar. Com A alma imoral foi assim. Depois dele, li toda a obra de Nilton Bonder.

• Você possui uma rotina de leituras? Como escolhe os livros que lê?
É tudo meio caótico. Antunes Filho disse que um ator deveria ler 40 páginas por dia. Tentei, mas não deu. Há dias em que não leio nada e outros em que leio muito. Há meses férteis e meses que não rendem. Não consigo ter uma disciplina rígida em relação à leitura. Sigo um fluxo de pensamentos, vou reunindo informações, dúvidas e certezas, vou anotando idéias até tudo desaguar num tema. E aí tenho uma necessidade enorme de me aprofundar nesse tema. Só leio livros sobre ele. Mas essa escolha parte mais do coração que do intelecto. E é um tema que geralmente me surpreende. "Nunca pensei que faria isso" é um pensamento que volta e meia aparece na minha cabeça. Nenhuma idéia me aparece pronta, mas nenhuma aparece à toa. Minha vida é muito relacionada ao teatro, tem uma dinâmica muito rica. Atuo numa peça baseada num livro de Dostoievski e, logo depois, numa de Nelson Rodrigues; García Lorca e, depois, Edward Albee; Eurípedes e, depois, Domingos Oliveira. Em 2009, vou interromper A alma imoral para atuar na peça Mary Stuart, de Schiller. Depois, volto com A alma imoral de novo. E já tenho uma bibliografia enorme para estudar sobre a Rainha Elizabeth. Dessa riqueza de mundos, vou construindo minhas conexões. Os livros vão chegando, indo, ficando, minhas escolhas têm muito a ver com meus trabalhos. [...] Os livros que já li estão para sempre dentro de mim. Os livros que leio me levam a outros que me levam a outros que me levam para dentro de mim. Me desculpe se estou sendo piegas, mas os livros nos levam para dentro da gente.

• Você percebe na literatura uma função definida ou mesmo prática?
Totalmente prática. Só essa possibilidade de interiorização já é incrível. E você se afina lendo. Somos um instrumento. Assim como um piano, precisamos de afinação. A literatura me afina. Lendo Guimarães Rosa, eu me aprumo. Lendo João Cabral, Drummond, Manoel de Barros, Millôr. Com Machado de Assis, ganho certa elegância, que me ajuda a manter a verticalidade. José Saramago, Gabriel García Márquez, Clarice Lispector, Rubem Fonseca. Tem autores que nos desorganizam. Não tem aquela música do Chico Buarque, "Paratodos"? Para cada estado de alma, um autor, um compositor. Quando você estiver se sentindo muito centrado, leia os autores que vão descentralizá-lo. Quando estiver em crise, leia os extremamente racionais, que vão organizá-lo. Quando estiver se sentindo muito careta, leia os que transbordam loucura. Com a literatura, você "malha" a imaginação. A diretora de teatro francesa Arianne Mnouchkine diz que o teatro é o terreno baldio da imaginação. A literatura também.

• Como você reconhece a boa literatura?
Pelos sentidos. Claro que tenho lá meus julgamentos, minhas referências, minhas "academias". Mas os sentidos ainda são os melhores guias. Eles reconhecem um bom livro, a qualidade da sua matéria-prima, como alguém que gosta de vinho reconhece a boa uva. Vou experimentando os livros e sentindo. Acho triste não gostar de um livro, mas às vezes não gosto. O diretor teatral Peter Brook diz que o teatro só não pode ser chato. É isso. Um livro não pode ser chato. Tem que ter ritmo, pegada. E os sentidos sabem discernir isso melhor que o intelecto. Agora, a química entre você e um livro depende muito do seu momento de vida. Já dispensei muitos livros que, depois, foram muito importantes para mim.

• A literatura já lhe causou prejuízos, desgostos ou decepções? Já lhe provocou alguma grande alegria? Já lhe proporcionou alguma grande descoberta?
Desgostos, decepções ou prejuízos? Acho que não. Grandes descobertas? Quando li Dostoievski pela primeira vez. Até hoje, quando leio Shakespeare. Quando li Brecht. A força de um livro é muito grande. Mas me impressiona a história do livro Werther, de Goethe. Como um livro pode causar uma onda de suicídio entre os jovens? Como pode tanta gente querer imitar um personagem? Momento histórico, enfim, existem mil explicações. Será que eu me suicidaria se vivesse naquela época e lesse esse livro? Em Dostoievski, há a pergunta: por que as pessoas não se matam? E eu escutei essa pergunta mil vezes, durante meses, no teatro, quando fiz a peça Os possessos. Aquilo fica martelando na sua cabeça. Eu andava pelas ruas observando o sofrimento humano e ouvindo a voz do ator: por que não se matam? Por que agüentam tamanha provação? Mas vou formulando minhas respostas. Vou inventando respostas. A literatura me influencia, mas não é absoluta. Mesmo que ela me faça ir aos píncaros da dúvida, me faça pensar se estar vivo é digno ou não, sou de retornar com alguma esperança. Gosto de horizontes, gosto de um ritual coletivo que gere energias positivas que me ajudem a viver. O teatro é isso.

• Você tem feito muita gente repensar seus conceitos religiosos com o espetáculo A alma imoral. Você é uma leitora freqüente das escrituras canônicas, hebraicas e/ou cristãs? Dessas, qual sua leitura favorita?
Nos anos 70 e 80, por influência de minha irmã mais velha, li alguns livros de Krishnamurti, um grande mestre. Acho que me iniciei pelo mundo do autoconhecimento com esses livros. Sempre tive um lado ligado à espiritualidade que não se afinava conscientemente com nenhuma religião. E minha família, de tradição judaica, nunca impôs a religião de forma rigorosa. Cada uma de nós foi seguindo seu caminho livremente. Sou casada há 11 anos com um "gói", quer dizer, com um não-judeu, e cheguei ao budismo de forma muito natural. E ao livro A alma imoral também. Nunca li muita coisa de teor religioso. É mais fácil me lembrar do livro O anticristo, de Nietzsche, do que de qualquer outro de teor religioso. É que A alma imoral "bateu" mesmo. E é a partir desse encontro com Nilton Bonder que estou lendo mais sobre a Cabala, é que estou lendo certas passagens da Bíblia. Leio a Bíblia hoje com um interesse humano e cultural imenso. Hoje em dia tenho menos preconceitos e mais ferramentas de análise para lê-la, mesmo que ainda pulando algumas páginas, como fazia na infância. Mas dessas leituras todas, ainda continuo firme com os livros de Nilton Bonder.

• Que tipo de literatura lhe parece absolutamente imprestável?
A que é cópia da cópia da cópia, o livro que parece uma xerox da xerox da xerox. Você espreme, espreme e não sai nada. Walmor Chagas um dia me disse que um ator, com o tempo, tem que tomar cuidado para não ser um dublê de si mesmo. Tem livro que parece um dublê de si mesmo. Não se trata de não dar continuidade a um estilo ou de não demonstrar abertamente suas influências literárias, não é isso. Nem de superficialidades versus profundidades. Às vezes, encontro numa história superficial algo que me faz pensar ou que me comove. É a questão da autenticidade, de não querer se passar por aquilo que não se é. Tem uma frase de Goethe: "As pessoas tendem a colocar palavras onde faltam idéias". Acho que a frase é mais ou menos assim. Certas teses de mestrado são assim: excelentes compilações de obras já consagradas. Para mim, a tese legal é aquela que cita outras obras, óbvio, mas que desenvolve uma idéia central clara e original com uma forma espontânea, autêntica, de dizer aquilo. E a reunião de citações é apenas para dar apoio a essa idéia central, e não à própria coisa em si.

 • Quais são seus autores prediletos? E os que mais influenciaram seu trabalho?
A lista é imensa. Domingos Oliveira é um autor que me ensinou muito. Mas a lista é muito grande. Todo ano, mudo meus livros de lugar. No escritório de casa, tenho uma estante formada por quatro prateleiras presas às paredes. Os livros sobem e descem dessas prateleiras de acordo com o trabalho que estou fazendo. Em frente ao computador, ficam os livros do dia-a-dia. Aqueles que realmente são lidos, consultados, manuseados. Vou citar os autores que estão, neste momento, nessa prateleira. Pela ordem em que estão dispostos: Hélio Pellegrino, Mario de Andrade, Dario Fo, Fernando Pessoa, Guy Debord, Ali Kamel, Antonio Monda, Clarissa Pinkola Estes, Augusto Boal, Marlene Fortuna, Paulo Freire, Marcelo Gleiser, Fernanda de Camargo-Moro, Ishmael Beah, Charles Darwin, Jean-Claude Carrière, Robert Wright, Thomas Mann, José Miguel Wisnick, Darcy Ribeiro, Eric Hobsbawn, Pina Bausch, Marilia Pêra, Lucia Rito, Paulo Autran, Harold Bloom, Jan Kott, Sergio Belmont, Pirandello, John Cage, Nilton Bonder e Sylvio Lago Junior.

• E quais livros foram fundamentais à sua formação pessoal e profissional?
Os de teatro. Estou tentando escolher O Livro, aquele que indico como O Indispensável, que a pessoa não pode morrer sem ler. Mas é difícil. Defendo a idéia de que a pessoa deve procurar por toda a vida pelo seu livro fundamental. É como digo em A alma imoral: somos seres em transformação, todos os dias acordamos diferentes. Precisamos compreender o que já esquecemos. É claro que há os grandes filósofos, os grandes romancistas, os grandes autores e diretores de teatro, os grandes mestres da espiritualidade, os grandes compositores, os grandes poetas, os grandes cineastas - temos que ler todos eles. Sabe qual é a coisa que um estudante de teatro pode dizer e que mais me chateia? "Ah, conheço esse autor, já li muito sobre ele." Tudo bem, a primeira vez em que entrei em contato com Artaud foi por intermédio de um livro sobre ele. Mas, depois, eu mesma fui ler Artaud. Você não pode ficar sabendo das coisas pelos outros. Leiam sobre os autores, mas leiam os próprios autores. Precisamos, sim, ter a pretensão de formar uma opinião própria sobre as coisas. Um dia, tive que encarar aquela coleção de Monteiro Lobato sozinha. Minha irmã não ia ficar me contando histórias da Emília para sempre. Mas, para não dizer que estou fugindo à pergunta, aí vai um autor fundamental, que escreveu livros fundamentais: Shakespeare.

• Que grande autor você nunca leu ou mesmo se recusa a ler? Você alimenta antipatias literárias?
Tenho preconceito contra certos políticos que viram autores. Não tenho curiosidade de ler. Tenho o maior preconceito. No entanto, há os grandes autores que ainda não li, mas que já estão aqui na minha estante, para serem lidos assim que eu puder: Stendhal, Henry Miller, uma peça de teatro de James Joyce, Os exilados, que estou louca para ler. E Tolstoi, Guerra e paz. Já comecei a ler esse livro três vezes e parei. Tenho até um caderno com o nome dos personagens. Mas aí vem uma onda de trabalho puxado e me tira da leitura. Tem certos livros que a gente tem que ler logo. Porque depois não teremos tempo.

• Que personagem mais a acompanha vida afora?
Dom Quixote, por tudo que ele representa em nosso imaginário. E, neste momento, estou fascinada pela Rainha Elizabeth. Ela tem uma história incrível. Que mulher, que independência. Mas adoro os personagens das comédias. Os de Molière são maravilhosos. Ainda não atuei numa peça de Ariano Suassuna, mas adoro O auto da Compadecida, Chicó e João Grilo. Adoro os personagens ingênuos, espirituosos e idealistas, os brincalhões, os que não fazem grandes maldades, só pequenas, como o Saci-Pererê e a Emília, de Monteiro Lobato, o Puck, de Shakespeare. Amo Carlitos, de Chaplin - ele vem do cinema, mas vive na minha imaginação como se eu o tivesse lido. E há os personagens que fiz no teatro, os fundamentais, os inesquecíveis.

• Que livro os brasileiros deveriam ler urgentemente?
Os brasileiros deveriam ler urgentemente. Livro ainda é objeto de luxo para a maioria dos brasileiros. De um modo geral, acho que o brasileiro deveria ler mais sobre o próprio país. E me incluo nisso. Queria estudar novamente a História do Brasil. Queria ler muito mais literatura brasileira. Acho que leio pouco os autores brasileiros. Quando vejo o trabalho do Antonio Nóbrega, quando escuto repentistas, quando leio Cora Coralina, quando ouço uma lenda indígena, um lado meu sonha em ter um caminhão e seguir viagem pelo Brasil, pesquisando linguagens, descobrindo as histórias do povo brasileiro. Sabe o filme Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues? Queria seguir na Caravana Rolidei. Este é um país muito fascinante, profundo e ainda desconhecido para nós. Sonho em vê-lo explodindo cultura para si mesmo. Sonho com um mercado interno consumidor ávido por cultura. Em cada esquina não tem um campinho de futebol? Em cada esquina um teatro, um cinema, uma livraria, uma biblioteca, um museu vivo, uma cinemateca, uma sala de música, uma escola. Já pensou? E se todos pudessem ler Darcy Ribeiro? Eu me entendi melhor como brasileira lendo Darcy Ribeiro.

• Como formar um leitor no Brasil?
Tive um professor de matemática que me fez amar a matemática. A partir dele, minha visão sobre a matemática mudou completamente. Entendi que a forma como se ensina uma matéria é tão importante quanto a matéria. Um ser humano capaz de transmitir conhecimento com paixão é capaz de contagiar outro ser humano. E essa paixão pelo conhecimento forma um leitor. Há conhecimento nos livros. Por meio deles, você aprofunda sua percepção de realidade. Um livro pode tirar o homem da sua condição de oprimido. Assim como meu filho um dia descobriu que há placas que indicam o caminho para a casa de seus avós, os livros indicam caminhos infinitos. Onde há liberdade, há livros; onde há livros, há liberdade. Um homem oprimido pela fome não tem condições de apreciar um livro. Acabando a fome no Brasil, surgirá então a fome de livros. É o sonho de todos que escrevem.

• Para ver Clarice Niskier:
A alma imoral. Teatro Eva Herz - Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073, Bela Vista, Centro, São Paulo), (11) 3170-4059. Sextas e sábados, às 21 horas; domingos, às 19. R$ 50.




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